segunda-feira, 12 de maio de 2008

ATELECTASIA (tipos e causas)


Este organograma mostra os tipos de atelectasias e suas causas (para melhorar a visualização clique na imagem). Este tipo de complicação pulmonar é freqüente nos pacientes hospitalizados (tanto os adultos quanto os pediátricos) e na maioria das vezes requer intervenção imediata em virtude da grave repercussão que provoca na troca gasosa e na mecânica do SR, o que pode resultar em parada cardiorespiratória e óbito. Diante deste quadro a fisioterapia é imediatamente solicitada para solucionar o problema. A conduta fisioterapêutica comum é posicionar o paciente de forma a melhorar a mecânica respiratória e a ventilação alveolar, quando há colaboração do paciente sem uma via aérea artificial solicitamos que ele realize inspirações profundas ou inspirometria de incentivo e por fim, quando ainda não conseguimos reverter a atelectasia, instituimos pressão positiva nas vias aéreas com BiPAP ou CPAP que pode ser invasiva quando existe uma via aéra artificial - traqueostomia ou VNI - máscaras.

Como podemos ver no organograma existem causas de atelectasias que podem ser facilmente revertidas: todas as iatrogênicas, quase todas as obstrutivas intrínsecas (secreção, edema, broncoespasmo e broncomalácia), quase todas causadas por hipoventilação (todas por dor - o pacente deve também receber analgesia, todas por alteração da biomecânica e quase todas por fraqueza muscular - desnutrição, desuso e drogas). Algumas destas apesar de serem fáceis de reverter, têm uma maior probabilidade de retornarem: as causadas por broncoespasmo, broncomalácia e alteração da biomecânica. As demais podem retornar, mas dependem de estarem associadas a outros fatores.

Outras causas de atelectasia podem levar um tempo maior para serem revertidas, mesmo com a aplicação da pressão positiva e podem ter uma alta probabilidade de retornarem: todas por complacência ruim e as por fraqueza muscular (traumatismo raquimedular - TRM cervical alto e doenças neuromusculares - DNM).

Por fim, teríamos aquelas que não seriam revertidas ou só seriam durante o momento da aplicação da pressão positiva, pois retornariam após sua retirada: as obstrutivas intrínsecas e extrínsecas (tumor e abscessos), derrame pleural e tumor parenquimatoso, devido o fator compressivo não poder ser eliminado com as condutas fisioterapêuticas ou pressão positiva.

O corpos estranhos aspirados nem sempre são removidos com a aplicação de pressão positiva e manobras fisioterapêuticas, porém, quando são, a atelectasia é totalmente resolvida.

As atelectasias causadas por pneumotórax pioram com a aplicação da pressão positiva quando o tórax ainda não foi drenado e tornam o pneumotórax hipertensivo com grave repercussão na hemodinâmica.

Esta exposição mostrou quais os tipos de atelectasias que podemos nos deparar dentro de um hospital. Ficamos sabendo quais os casos que teremos maior chance de resolver com sucesso e quais os que nos exigirão maior desprendimento. Também soubemos sobre os casos em que devemos ter um maior cuidado quanto a possibilidade de retornarem e aqueles que não poderemos resolver.

Não devemos nos esquecer que existem casos mais complicados de serem resolvidos por mais que pareçam simples e que também podem existir complicações associadas, por ex. instabilidade hemodinâmica e atelectasia, pneumotórax e atelectasia. Não é incomum um diagnóstico
incorreto de atelectasia feito somente pela radiografia de tórax no leito, por isso devemos investigar todos os sinais que mostram a presença de uma atelectasia (ex.: imagem, mecânica respiratória, troca gasosa, expansibilidade torácica e ausculta pulmonar). Todas estas informações servem para nos mostrar se estamos obtendo êxito durante a nossa conduta terapêutica.

Todas as informações obtidas devem ser discutidas com o médico para que seja tomada a decisão mais correta para a solução do problema do nosso paciente.

3 comentários:

veronica sousa disse...

meu nome é veronica sou estudante de fisioterapia 3 semestre em salvador gostaria de ter mas informações sobre esse seu trab

Anônimo disse...

Parabéns Daniel, pelas postagem de trabalhos em fisioterapia em terapia intensiva, pois acabei de me formar em Fisioterapia.
Comecei ler tuas postagem estou facinada pelos trabalhos realizados.
Sou lúcia Gulin de Florianópolis SC

Sônia Santos disse...

Oi Daniel! Parabéns pelo trabalho, excelente nível! Sou fisioterapeuta intensivista em início de carreira e me deparei ontem com um caso muito interessante disponível (foto) neste link: http://twitpic.com/d7s6gx . Confesso q à principio não desconfiei de atelectasia pura. Até gora creio q há um derrame pleural associado - no mínimo. A paciente encontra-se TOT em AVM, bem adaptada, SpO2 = 100% com FiO2= 21%. Iniciei a terapia posicionando-a em decúbito lateral mantendo o pulmão afetado livre; devido a suspeita que tenho, não elevei tanto a PEEP, mantive-a em 6 cmH2O. A médica plantonista discordou da minha visão de possivel derrame pleural, mas eu prefiri não partir diretamente ao recrutamento alveolar por altos PEEPs e assim o fiz. Gostaria da sua opinião. Deixo meu e-mail: soniapv99@gmail.com. Obrigada e mais uma vez, parabéns!