domingo, 20 de setembro de 2009

Obrigado pelas 50.000 VISITAS !!!

A busca racional pelo conhecimento, seja ele de qualquer natureza, sempre foi uma necessidade na minha vida.

Quando acadêmico, nos últimos períodos de graduação em fisioterapia, me deparei com estágio em CTI, logo de cara me assutei com a estrutura grandiosa do ambiente da terapia intensiva: a aparelhagem complexa (monitores, respiradores, bombas infusoras...) e seus alarmes soando a todo tempo, o paciente crítico acamado e imóvel, quase que "intocável" pela quantidade de acessos, vias, sondas, tubos... e pela grande quantidade de pessoas entrando e saindo do CTI, além da equipe do setor que quase não parava de se movimentar em torno dos pacientes.

Com o passar do tempo fui me acostumando com esta rotina e o sentimento de medo foi se transformando em fascínio.

A curiosidade me levou a buscar o entendimento sobre tudo que ouvia e observava, eu anotava em detalhes todas as explicações dos meus supervisores em um caderno para rever depois, eu conversava com os médicos e os enfermeiros mais acessíveis sobre as suas condutas e procedimentos e também ouvia atento as conversas de outros profissionais especialistas.
Ou seja, tudo que se relacionava ao paciente ou aparelhagem da terapia intensiva me interessava muito.

Passei a comprar livros específicos na área e estudava bastante. Tentava fazer esquemas lógicos sobre aquilo que lia e tirava as dúvidas com os professores da faculdade e colegas mais experientes. Frequentemente, eu revia os meus assuntos anotados e os reformulava, cada vez mais eu percebia que o meu conhecimento melhorava.

Com o tempo pude ver que todo aquele material tinha um grande valor para mim, os esquemas e as explicações específicas às minhas dúvidas também satisfaziam outros colegas. Então, passei a organizar tudo em forma de aulas no meu computador.
Não nego que tive muita colaboração, reconheço a grande importância dos meus professores, supervisores, colegas de turma e dos demais profissionais da saúde na confecção deste material.
Mas como tudo no mundo, sempre existem aquelas pessoas que marcaram algumas etapas na nossa vida. Eu me refiro especificamente a um supervisor no meu primeiro estágio em CTI, foi num hospital universitário, através de um concurso extracurricular para acadêmico de fisioterapia em terapia intensiva.

Este profissional tinha um perfil bastante rígido e desafiador, muitos acadêmicos, logo no início, desistiam do estágio, só ficavam os persistentes que se empenhavam bastante. Com o passar do tempo fui reconhecendo a importância deste supervisor, a sua cobrança intensa foi se transformando em conhecimento concreto adiquirido e o seu perfil rígido foi moldando minha postura profissional.

Durante algum tempo nos tornamos amigos, participei de alguns eventos científicos junto dele e passei a ministrar algumas temas do programa de estágio neste hospital.

Depois que me formei, prestei concurso para residência em fisioterapia neste mesmo lugar. Posso afirmar que foi a decisão mais correta para minha formação, durante este período consolidei muitos conhecimentos a cerca da fisioterapia hospitalar em diversas áreas, aprimorei condutas e técnicas e estudei bastante sobre os diversos casos dos pacientes que tratei.

Hoje, eu colho os frutos desta trajetória, trabalho em dois hospitais públicos e atuo não só em terapia intensiva. Num destes hospitais recebemos acadêmicos bolsistas em terapia intensiva via concurso público. Passei a ministrar para eles as aulas que havia montado.

No início de 2008, um amigo médico, autor do blog apontamentos em terapia intensiva, me incentivou a criar o meu blog e a publicar os assuntos que possuo. Assim nasceu este veículo, tendo sua primeira publicação em 19 de abriu de 2008 com o tema: Relações de ventilação - perfusão.

Hoje, tenho um enorme prazer em escrever os assuntos publicados aqui, alguns destes temas vieram da curiosidade de vocês e das sugestões de amigos de trabalho.

Quando escrevo aprendo também, esta atividade me obriga a estudar bastante cada assunto. Algumas postagens são vivências profissionais minhas e de colegas que tenho uma enorme satisfação em compartilhar com todos.

Saibam que este blog não existiria sem a participação de vocês, continuem a comentar, criticar e sugerir o que quiserem, pois isto torna vivo este veículo de informação.

Muito obrigado a todos!

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Complicações com a VAA durante VM.

Resumo de caso.

Paciente idosa, portadora de sequela pulmonar esquerda antiga por BK. Admitida no CTI com IRpA como consequência de uma pneumonia comunitária. Foi submetida à VM invasiva, no 8º dia de VM complicou com pneumotórax hipertensivo à esquerda não iatrogênico, foi drenado e apresentou uma fístula aérea de alto débito.

Dois dias após a drenagem torácica foi percebido aumento significativo da resistência das vias aéreas e ressecamento das secreções com formações de "rolhas". A paciente, desde a sua internação, mantinha estabilidade hemodinâmica, normotermia e boa hidratação. A ventilação minuto alveolar era em torno de 8,5 L/min e a produção de secreção traqueal era em quantidade moderada e fuida.

Foi necessário trocar o tubo.



A umidificação das vias aéreas durante VM neste CTI é feita com filtro HME. A recomendação do fabricante para seu uso exclui os casos de pacientes desidratados, hipotérmicos, que hiperventilam (> 10 L/min) e que produzem secreções espessas ou sanguinolentas.

Por que ocorreu ressecamento das secreções e suboclusão do TOT, já que nenhuma das situações de contra-indicação estavam presentes nesta paciente?

Os filtros HMEs são dispositivos passivos, a umidificação das vias aéreas ocorre pela retenção da umidade proveniente do gás expirado pelo paciente. Parte da umidade, aproximadamente 70%, é adicionada ao gás inspirado no ciclo seguinte. Pelo menos, 30 mg H2O / L de gás a 30 ºC de temperatura, é necessário para manter uma fluidificação adequada das secreções respiratórias. A maioria destes filtros atinge estes valores nas condições recomendadas.

Na presença de fístula traqueobronquica, parte do gás pulmonar (umidificado e aquecido) sai pelo dreno torácico. Esta perda resulta numa diferença através do filtro entre o volume inspirado maior (seco) que vem do respirador e o expirado menor (úmido) proveniente das vias aéreas. Isto acarreta na redução da umidade relativa média do gás nas vias aéreas.

A consequência, pode ser o que foi visto com o TOT retirado da paciente (foto). Neste caso a umidificação deverá ser feita com o umidificador aquecido.

Aguardem outras publicações!

Abraços a todos.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Complicações da VNI

Resumo de caso:

Paciente jovem, portador de SIDA, internado no CTI para tratamento de uma pneumonia comunitária. Inicialmente, estável hemodinamicamente, lúcido e orientado, dispnéia leve e tosse produtiva. Em uso de oxigenioterapia via macronebulizador com máscara. SpO2 = 95%.

Dois dias após: Redução do sensório, dispnéia pronunciada e AP abolida a ESQ. SpO2 = 88%. Solicitado RX de tórax.

ATELECTASIA TOTAL ESQUERDA

INICIADA FISIOTERAPIA: CPAP com máscara facial entre 10 e 15 cm H2O por 30 min + posicionamento corporal + manobras manuais.
Expectoração de pouca quantidade de secreção purulenta e espessa.
Melhora na SpO2 = 92% e discreta melhora na AP.

Solicitado novo RX.


REVERSÃO PARCIAL DA ATELECTASIA

Retomada a FISIOTERAPIA: CPAP entre 20 e 25 com H2O por 20 min + posicionamento + manobras manuais.
Expectoração de secreção em maior quantidade. Melhora significativa da AP e SpO2.

Novo RX de tórax.




REVERSÃO QUASE TOTAL DA ATELECTASIA

E

AEROFAGIA SIGNIFICATIVA



Este tipo de complicação geralmente não é grave, mas em um paciente com resíduo alimentar volumoso pode complicar com refluxo e broncoaspiração. Alguns estudos científicos informam que VNI com pressões inspiratórias próximas a 20 cm H2O ou maiores pode provocar distensão gástrica gasosa.

Aguardem outras publicações!

Abraços a todos.

terça-feira, 30 de junho de 2009

VNI na falência respiratória pós-extubação

A falência respiratória pós-extubação é definida como o surgimento de sinais de desconforto respiratório dentro de 48 a 72 horas, após o paciente ter sido submetido a uma extubação programada, associada com a necessidade de ventilação mecânica artificial invasiva ou não invasiva.

É importante diferenciar este conceito com o da falência do desmame da ventilação mecânica. Quando um paciente em ventilação se recupera do episódio da falência respiratória aguda, a capacidade dele tolerar uma respiração espontânea pode ser avaliada com macronebulização em oxigênioterapia, CPAP ou baixos níveis de PSV. Se nenhum sinal de intolerância surgir e os parâmetros preditivos de desmame estiverem favoráveis, o paciente é extubado. Se não ocorrer sinais de desconforto respiratório nas próximas 48 ou 72 horas, é considerado scesso no desmame.

Se durante o teste de respiração espontânea o paciente desenvolver sinais de intolerância respiratória, é considerado falha no desmame. Então o paciente é reconectado ao respirador e uma retirada gradual da VM é realizada.

Reintubação é um fator de risco independente para pneumonia nosocomial e também para o aumento no tempo de internação hospitalar e mortalidade.

A etiologia da falência respiratória pós extubação está relacionada com problemas nas vias aéreas (ex.: obstrução, broncoaspiração e excesso de secreção pulmonar) e fora das vias aéreas (ex.: falência cardíaca congestiva, insuficiência respiratória e encefalopatias).

As causas de reintubação não relacionadas com problemas com as vias aéreas costumam ser mais frequêntes e estão relacionadas com maior mortalidade. Geralmente, quando estas causas surgem, a reintubação costuma ser realizada mais tardia que as causas relacionadas com as vias aéreas e isto predispões aos desfechos piores.

Um estudo observacional e prospectivo - Intensive Care Med 30:1334-1339.2004 - com 88 pacientes revelou que no teste de respiração espontânea, os pacientes que apresentaram pico de fluxo de tosse igual ou menor que 60L/min, volume de secreção endotraqueal de 2,5 ml/hora ou mais e incapacidade de realizar quatro tarefas simples como: abrir os olhos, acompanhar com os olhos, apertar a mão e colocar a lingua para fora, tiveram 100% de fracasso. Contrariamente, só 3% dos pacientes que não tinham estes fatores de risco falharam a extubação.

Alguns fatores fisiopatológicos contribuem para falha no teste de respiração espontânea e desmame da VM:

1- Baixa Va/Q sem alteração na ventilação minuto (respiração rápida e superficial);

2- Relação aumentada entre a extração tecidual de O2 e índice cardíaco (baixa SvO2) e

3- Baixa relação entre a força muscular respiratória e a carga ventilatória.

A falência respiratória aguda hipercápnica na DPOC é uma indicação clara de VNI, melhora o trabalho ventilatório e a V/Q quando o padrão de respiração rápida e superficial se instala durante o teste de respiração espontânea.

VNI tem se mostrado consistente na redução do tempo de VM e no sucesso de extubação nos pacientes com DPOC com dificuldade em desmamar da VM. Nestes casos, extubação seguida de VNI reduziu o tempo de VM, tempo de CTI, incidência de pneumonia associada a VM e aumentou a sobrevivência.

Yearbook of Intensive Care and Emergency Medicine; 2006; J.-L. Vincent; Springer.

Aguardem novas publicações!

Abraços a todos.

sábado, 23 de maio de 2009

Resumo histórico da Ventilação mecânica (parte 2).

Continuação.......

1902 - Matas usou o ar comprimido para acionar o aparato de Fell-O'Dwyer durante cirurgia.




1904 - Sauerbruch usou ventilação negativa contínua ao redor do corpo para atender a necessidade ventilatória durante cirurgia.




1905 - Brauer usou pressão positiva contínua nas vias aéreas superiores durante cirurgia.

1909 - Janeway e Green desenvolveram um ventilador com pressão positiva intermitente (IPPV) para uso em cirurgias.




1907 - Heinrich Drager recebeu a patente do "pulmotor" para ressucitação, acionado pelo ar comprimido ou oxigênio.








1916 - Severy e 1926 - Schwake construiram ventiladores de pressão negativa que requeriam posição de pé do paciente.








1928 - Drinker e Shaw desenvolveram um ventilador de pressão negativa conhecido como "iron lung". Foi muito utilizado para suporte de vida prolongado.







1930s - Poulton e Barack introduziram o CPPB (continuous positive pressure breathing) para tratar edema pulmonar agudo cardiogênico.





1931 - Emerson desenvolveu um "iron lung"similar ao de Driker e Shaw que tornou-se largamente comercializado.













1940 - Crafoord, Frenckner e Andreason desenvolveram o "espiropulsator", um ventilador para IPPV.








1941-1945 - Morch desenvolveu um ventilador para IPPV.






1951 - Dr. Forrest Bird construiu o primeiro respirador de pressão positiva acionado por magnetos. Denominado Bird Mark 7 (protótipo na sua mão esquerda). Este respirador ainda é utilizado atualmente (mão direita).









1952 - A epidemia de poliomielite começou em Copenhagen na Dinamarca. Foto do "Rancho los Amigos".








1953 - Richard Salt desenvolveu o "Oxford inflating ballows"foi muito utilizado no tratamento da poliomielite.




1953 - Saxon G.A. e Meyer G.H. desenvolveram um dispositivo eletromecânico para substituir o centro respiratório humano durante VM. O dispositivo regulava a pressão inspiratória pelo EtCO2. Foi o primeiro registro da utilização da alça-fechada durante a VM.

1955 - J.H. Emerson de Massachusetts, patenteou um ventilador que produzia vibrações nas vias aéreas dos pacientes (100 a 1500 vibrações por minuto). Foi-lhe creditada a invenção do primeiro ventilador de alta frequencia.







1956- O "iron chest" da Drager, também conhecido como "chest respirator". Respirador de pressão negativa ao redor do tórax desenvolvido para longa permanência.



1967 - A PEEP (positive end expiratory pressure) foi introduzida nos respiradores por pressão positiva. Ashbaugh, Petty, Bigelow e Levine reviveram a idéia do CPPB e aplicaram-na durante a ventilação mecânica, denominando de PEEP, para o tratamento da SDRA (Síndrome do desconforto respiratório agudo) .

1970 - Robert Kirb e colaboradores desenvolveram uma técnica denominada de "intermitent mandatory ventilation - IMV" para ventilar crianças com "IRDS - idiopathic respiratory distress syndrome".

1971 - Gregory e colaboradores reportaram o uso do CPAP para tratar IRDS em recém-nascidos.

1971 - Oberg e Sjonstrand introduziram a ventilação com pressão positiva de alta frequência (HFPPV).

1973 - John Downs e colaboradores adaptaram o sistema de Ventilação Mandatória Intermitente (VMI) para adultos e também propuseram-no como método de desmame do suporte ventilatório.

1980 - Ventilação por pressão positiva de alta frequência ganhou destaque na literatura como uma abordagem experimental de VM.


REFERÊNCIAS:

1- Pilbeam, Suzan. Mechanical ventilation: Physiologycal and clinical applications. 3 ed. Mosby. 1998.

2- Tobin, Martin J. Principles and practice of mechanical ventilation. McGraw-Hill. 1994.

3- Clinical Window Web Journal. Mechanical Ventilation, A Historical Perspective (december 2006).

4- Christofer M. Burke, Fernando A. Zepeda, Douglas R. Bacon and Steven H. Rose. A historical perspective on use of the laryngoscope as a tool in anesthesiology. Anesthesiology 2004; 100: 1003-6.

5- Amer Chaikhouni. History of Medicine: The magnificent century of cardiothoracic surgery. Volume 8 , n. 4, december 2007 - february 2008.

6- Ernst Bahns. Drager: The history of ventilation Tecnologhy. It began with the pulmotor - one hundred year of artificial ventilation. 2007.

7- J.X. Brunner. History and principles of closed-loop control applied to mechanical ventilation. MJS-NVIC. 2002.
Aguardem próxima publicação!
Abraços a todos.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Resumo histórico da Ventilação mecânica (parte 1).

Na sua origem, o homem destinava o pensamento para a sobrevivência e observação do meio ambiente. Com a evolução, passou a entender e controlar os fenômenos da natureza, desenvolveu ferramentas e equipamentos que atendessem as suas necessidades...

Hoje, tudo que temos ou somos é fruto do nosso passado e a história tem a finalidade de mostrar a trajetória da nossa evolução. Para entendermos como evoluiu a ventilação mecânica e chegamos aos equipamentos modernos e modos ventilatórios atuais, precisamos voltar aos primeiros registros e acompanhar o caminho percorrido até a atualidade.

A história da ventilação mecânica acompanha a história da reanimação cardiorespiratória, intubação traqueal, anestesia, cirurgia torácica e o tratamento de algumas doenças como a SDRA e a poliomielite.

HISTÓRIA (a.C.)

As primeiras citações sobre a teoria da respiração aparecem nos escrito antigos Egipcios, Chineses e Gregos. O ato de ventilar artificialmente seres humanos data de 800 a.C. e está documentado no Velho testamento Bíblico, citação ao Profeta Elisha que induziu uma pressão respiratória da sua boca à boca de uma criança que estava morrendo (II Kings, 4:34-35).



460 - 370 a.C. - Hipócrates descreveu a função da respiração no " Tratado do ar" e o tratamento para as situações iminentes de sufocamento por meio da canulação da traquéia ao longo do osso da mandíbula. Esta foi provavelmente a primeira citação sobre intubação orotraqueal.





384 - 322 a.C. - Aristóteles notou que animais colocados dentro de caixas hermeticamente fechadas morriam. Primeiramente, pensou que a morte ocorria pelo fato dos animais não conseguirem se resfriar. Outros estudos levaram-no a conclusão de que o ar fresco era essencial para a vida.



HISTÓRIA (d.C.)


Século II d.C. - Galeno, físico grego, realizou diversos estudos sobre anatomia em várias espécies de animais. Ele afirmava que a anatomia dos seres humanos era similar. Seus ensinamentos foram seguidos por muitos séculos. Desde a sua morte até 13oo anos após, religiosos e políticos proibiram a dissecção e os estudos científicos em humanos.






1530 - Paracelsus (1493-1541) usou um fole conectado a um tubo inserido na boca de um paciente para assistir a ventilação. Foi-lhe creditado a primeira forma de ventilação artificial.





1541 - 1564 - Vesalius introduziu um cano na traquéia de um animal que estava morrendo e somente através da ventilação restabeleceu o batimento cardíaco. Versalius, foi o primeiro a desbravar as leis vigentes e dissecou cadáveres humanos. Os seus registros compreendem 7 volumes de anatomia ilustrada, foi a primeira obra com descrição acurada do corpo humano.



1635 - 1703 - Robert Hooke se interessou em estabelecer a causa da morte quando o tórax era aberto durante cirurgias. Realizou estudos em animais e percebeu que era possível sustentar a vida bombeando ar nos pulmões. Ventilou os animais por meio de um fole conectado a um tubo inserido na traquéia através de um orifício no pescoço abaixo da epiglote. Primeiramente, achou que os movimentos do tórax e pulmões é que mantinham a vida. Em outros estudos, inseriu um cano nas vias aéreas e liberou um fluxo constante de ar através dele, conseguiu manter os pulmões expandidos e sustentou a vida mesmo na auxência dos movimentos respiratórios. Por fim, concluiu que o ar fresco e não o movimento respiratório é essencial à vida.

1763 - Smelie usou um tubo de metal flexível e bombeou ar para dentro dos pulmões.


1775 - John Hunter desenvolveu um sistema com duplos balões para ressucitação de animais, um balão para entrada de ar fresco e outro para retirada do ar ruim. Ele também recomendou a compressão com o dedo sobre a laringe para previnir a entrada de ar no estômago. Esta técnica foi adaptada para humanos e é utilizada atualmente.



1786 - Kite criou um mecanismo limitado a volume que usou com foles. Foi importante por ser o primeiro dispositivo volumétrico.

1790 - Courtois usou um pistão e um cilindro junto com um balão para ventilação.

1796 - Forthergill usou um tubo nasal e um fole para ventilação artificial.





1864 - Jones patenteou um dos primeiros ventiladores de pressão negativa.








1876 - Primeiro "iron lung" do Dr. Woillez de Paris.







1876 - Dr. Woillez de Paris desenvolveu o "espirophore" similar ao pulmão de aço - "iron lung".




1860 - Diversos respiradores com pressão negativa foram inventados.



1880 - Macewen desenvolveu o tubo endotraqueal.








1886 - Tuffier e Hallion realizaram com sucesso uma ressecção de parte do pulmão utilizando um tubo endotraqueal com "cuff"e uma válvula de não-reinalação.









1889 - Dr. Egon Braun desenvolveu uma caixa de ressucitação para crianças.









1893 - Fell e O'Dwyer usaram uma cânula laríngea conectada a um balão acionado com os pés para ventilação durante cirurgias.





1895 - Kirstein desenvolveu um autoscópio para a visão direta.




1895 - Jackson inventou o laringoscópio.





Aguardem a próxima publicação (Resumo histórico da Ventilação Mecânica - parte 2).

Abraços a todos!

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Um depoimento "excepcional" !!!

Há aproximadamente dois meses conheci pela internet uma fisioterapeuta, a Dra. Rachel Silveira, que após relatar a sua experiência em terapia intensiva, quando ainda era acadêmica, me fez pensar sobre algumas questões relativas às qualidades pessoais (conhecimento técnico, habilidades físicas e intelectuais...) necessárias para atuarmos nesta área.

De imediato, as primeiras perguntas que me fiz foram: Quais qualidades essenciais devemos ter para podermos atuar na terapia intensiva? O que necessitamos em termos de competência ou capacidades (física, emocional, intelectual...) para podermos exercer a fisioterapia nesta área?

Logo após estas primeiras perguntas, quase que automaticamente, estes questionamentos se elevaram para uma esfera maior... E se for em outra atividade profissional, independente da área de saúde. Quais seriam estas qualidades ou competências?

Bom... como estou falando de um caso de fisioterapia relacionado à terapia intensiva, não vou fugir a ele. Troquei algumas informações com a Rachel e após conhecê-la melhor fiquei muito surpreso com a sua história e convidei-a para nos dar este depoimento.

Para começar, mostrarei o primeiro e-mail que recebi da Rachel...

São Paulo, aos 17 de fevereiro de 2009.

Olá Daniel bom dia, tudo bem ?!

Deixe-me apresentar, me chamo Rachel Silveira, sou deficiente auditiva por erro médico (surdez adquirida). Realizo minha comunicação com os meus pares através de leitura labial, bem como acompanho por esse recurso, além da visão.

Então, tenho uma paixão por Terapia Intensiva, pois quando estava no último ano de estágio, o meu coordenador do curso não queria que eu fizesse o estágio em terapia Intensiva por conta da minha audição, mas, eu não permiti que não deixassem eu realizar a minha bateria de estágio. Então, vou te contar mais ou menos como foi que consegui virar essa página, eu não permiti que fosse uma excludente social na universidade.

Foi assim: Tinha uma grande amiga que também é fisioterapeuta e mestre em Terapia Intensiva, ela mora em Pernambuco, eu contei a ela o que estava acontecendo, ela me apresentou a um outro fisioterapeuta e ficamos amigos. Eu não o conhecia, mas ele me ajudou a distância. Escrevemos uma carta para o meu coordenador do curso, fiz uma solicitação de atenção em pauta sobre mim, para obter uma formação completa em fisioterapia.

O estágio em UTI acrescentou muito pra mim. Você não faz idéia Daniel! Aprendi a desenvolver outras habilidades e aprendi a ser mais dinâmica dentro do estágio, pois eu acho que a audição não pressupõe o exercício da profissão.

Então Daniel, gostaria que pudéssemos ser amigos e trocar experiências, gosto muito de UTI adulto e neonatal. Ainda não fiz pós-graduação. No momento estou desempregada rsrsrsrsrs...mas, chego lá.

Eu falo para os meus amigos que tenho orgulho de ter conseguido vencer esta etapa dentro do meu estágio, e tive um bom desempenho em UTI. Vou destacar o que sei.

Bom, vou te mandar o modelo da carta que escrevi na época para o meu coordenador, segue abaixo:

Campo Grande, aos 15 de maio de 2007.

Exmo Sr. Reitor.

Sou aluna de graduação em fisioterapia, estando cursando o 8º semestre (último semestre do curso). Sou deficiente auditiva por erro médico (surdez adquirida). Realizo minha comunicação com os meus pares através de leitura labial, bem como acompanho as aulas por esse recurso, além da visão.

Outrossim, recorro a V. Exª. com a finalidade de resguardar e preservar um direito adquirido ao longo desses sete semestres letivos, que é o de ter as mesmas oportunidades que os meus pares da graduação, independente da minha condição clínica, haja vista que a mesma não é impeditiva da realização dos meus compromissos acadêmicos.

Ademais, o setor de Fisioterapia do Hospital não pressupõe a necessidade de audição para o exercício da profissão, bem como também não o faz, na condição de acadêmica, visto que na qualidade de estudante sou acompanhada por um preceptor de estágio no referido local, por tratar-se de formação específica da graduação em fisioterapia.

Sendo assim, declinar-me-ei de acompanhar uma bateria de estágio já cursada e aprovada por mim, para ficar no aguardo de cursar/estagiar uma bateria de estágio imprescindível à minha formação acadêmica.

O passado desta Instituição a habilita ao grau de excelência do ensino que a mesma apresenta, razão pela qual fiz minha escolha em passar longos anos de minha vida, no auge da minha juventude, dedicada à minha formação acadêmica na mesma. Não posso e não quero declinar a ter uma formação completa na área de fisioterapia, pois preciso ter as mesmas oportunidades que meus pares para superar os obstáculos do mercado de trabalho, extremamente competitivo, nos dias atuais.

Na certeza de contar com seu entendimento pleno sobre essa questão, aguardo manifestação imediata sobre o assunto para não haver prejuízo à minha formação acadêmica nesta reta final do curso de graduação. A surdez, que foi acometida, não é motivo para exclusão social e profissional no ramo de atividade escolhida por mim.

Rachel da Silveira Campos
Acadêmica do 8º semestre
Curso de Graduação em Fisioterapia


Após este depoimento, resolvi entrevistá-la sobre questões relativas às possíveis dificuldades que um profissional com deficiência auditiva encontraria ao trabalhar numa UTI.

Como sou "ouvinte" e esta é a primeira vez que lido com este assunto, talvez eu não consiga explorá-lo muito bem, mas, tentarei fazê-lo da melhor forma possível, começando pelas perguntas que despertaram maior curiosidade em mim.

1. Raquel, como seria a comunicação entre você e os demais integrantes das equipes da UTI (de enfermagem, medicina, fisioterapia...)? Vocè já comentou que faz leitura labial, mas como eles poderiam te entender?

2. Os alarmes dos monitores e respiradores apresentam sinalizações sonora e visual. O alarme sonoro normalmente é o primeiro a ser percebido, principalmente em uma UTI grande ou com poucos profissionais. O que você faria para compensar a falta de percepção auditiva nos casos de disparos dos alarmes?

3. As etapas do exame físico do paciente são a inspeção, palpação, ausculta e percussão. Para realizá-las necessitamos das percepções sensoriais: visual, tátil e auditiva. Como você compensaria a falta da ausculta no exame físico, sendo uma portadora de deficiência auditiva?

Rachel...

Daniel, em relação as suas perguntas sobre o impedimento de realizar a bateria de estágio de fisioterapia em UTI. Você sabe que é dentro desses desafios que sobressai a fisioterapia. De acordo com a minha experiência de dois meses de estágio que cursei, pude aguçar a deficiência no interesse de capacitar e ou supervisionar de forma melhor pessoas especiais que cursam ou cursaram a fisioterapia. É claro que tem alguns docentes da graduação com esse "medo" de falar em público o caminhar lado a lado com a preocupação em ser aceito pelo grupo (como se diz: pois sabemos que todo mundo tem camuflado em seu âmago um lado cavernoso).

Então Daniel, os motivos que levaram a falta de incentivo por parte dos docentes para o meu ingresso nesta área, são devidos a má gestão de pessoas, pelo menos é o que eu acho. Para mim, eles não puderam ou souberam me "estudar" para saber o que poderiam esperar de mim e como fariam para me motivar. Não sabiam como eu deveria agir dentro da UTI. Penso que aqueles que aprendem muito sobre a gestão de pessoas carregam tamanha responsabilidade de modo a evitar o excesso de descontentamento por parte das pessoas. Sabe, eu acho que os docentes não estavam preparados para partilhar experiências e encarar novos desafios impostos pela minha condição clínica e fisioterapêutica. Por isso que te falo que acho que esse lance de gestão de pessoas, generalização de idéias, estudo de pessoas, motivação e tal, são coisas de elite dominante. Eu penso assim: é como mostrar ao predador que pode explorar a estúpida presa vendida!!! hehehehe

Daniel, te contei que não ouço, certo?! Mas, realizo minha comunicação através de leitura labial, também acompanho esse recurso a visão. Sou surda oralizada (ou seja, tenho oralização perfeita), todos compreendem e entendem a minha comunicação oral.

Na bateria de estágio que cursei, passei pela clinica médica, doenças infecto-parasitárias, CTI adulto, ambulatório..., o que mais gostei foi a parte do CTI adulto. Ao adentrar no 1º dia já imaginava como seria o meu trabalho no CTI, jaleco, roupa branca, sapatos fechados, cabelos presos, carteira de vacina em ordem. Antes de atender o paciente crítico, eu pegava a caneta e o papel para anotar todos os parâmetros do ventilador mecânico, a pressão arterial do paciente, a saturação de oxigênio, a gasometria arterial. O negatoscópio ficava ligado para visualização da radiografia do paciente. No ventilador mecânico (inter 5), observava a sinalização luminosa e buscava saber o significado de cada uma delas. Daniel, na UTI o fisioterapeuta realiza ausculta pulmonar, mas ele não está sozinho, tem a equipe médica, de enfermagem (técnicos), um par da graduação, porque geralmente o estágio é em duplas. Mesmo que o fisioterapeuta não realize a ausculta pulmonar, o médico a realiza e você pode obter esta informação com ele ou observá-la no prontuário do paciente.

Quando eu ficava sozinha com o paciente no box, avaliando paciente em coma, ao tocar (ausculta pulmonar) o pulmão do paciente com as mãos (região palmar) eu conseguia identificar sibilos, roncos, estertores bolhosos e mesmo que eu conseguisse identificar o ruído adventício eu chamava a minha colega de estágio para confirmar através da ausculta no paciente.

Quanto à aspitação traqueal ou orotraqueal, normalmente é um procedimento tranquilo de realizar, depende também da gravidade do paciente. A primeira coisa que devemos saber antes de começar a atender é se o paciente está em isolamento de contato ou respiratório. Então, eu pegava todos materiais e equipamentos necessários para não ficar para lá e para cá, sabe?! Eu pegava as luvas, as sondas, o soro, a seringa, as luvas estéreis... Eu colocava a luva de procedimento, o capote, a máscara, a touca e e para realizar a aspiração traqueal, colocava as luvas estéreis com cuidado para não contaminá-las. Antes da aspiração, eu realizava uma manobra de Higiene Brônquica (aumento do fluxo expiratório), avaliava a entrada de ar nos pulmões e a presença e o deslocamento das secreções através da visão e do tato. O tempo todo acompanhava a monitorização dos parâmetros ventilatórios, SaO2, pressão arterial, FC... certo?

Após as manobras desobstrutivas eu realizava então a aspiração das secreções do paciente, desconectava o circuito do ventilador do tubo do paciente e aspirava, sempre olhando a saturação de oxigênio, a FC, as reações do paciente... Reconectava em seguida o ventilador. Com uma das mãos manuseava a via aérea e o circuito e com a outra, sem contaminar, aspirava. Quando terminava este procedimento, checava sempre os parâmetros do ventilador, os sinais vitais pelo monitor e o próprio paciente para certificar se está tudo normal. Descartava o material utilizado no lixo e só ficava com as luvas de procedimento para dar início à fisioterapia motora. Quando terminava tudo, deixava o leito arrumado e lavava as mãos. Evoluia no prontuário toda a minha avaliação e os procedimentos realizados com o paciente.

Foi com esta intenção que eu recorri ao Reitor, o meu objetivo era preservar um direito meu, que é o de ter as mesmas oportunidades que os colegas da graduação recebem, independente de minha condição, que não é impeditivo algum para a realização dos compromissos profissionais ou acadêmicos. Então, não pressupõe da audição para o exercício da profissão.

Daniel, eu estava sendo uma excludente social na Universidade e não permiti que isso acontecesse, se eu não tivesse reivindicado os meus direitos, eu estaria me prejudicando na busca do mercado profissional. Ou melhor, eu não teria a mínima noção sobre a atuação do fisioterapeuta dentro de uma UTI. Você entende o porque que eu não queria declinar de acompanhar uma bateria de estágio que acrescentou muito para a vida profissional, ...acrescentou muito em conhecimento teórico, conhecimento sobre os problemas que encontramos dentro da UTI, conhecimento sobre as alternativas de tratamento para este tipo de paciente... É essa fisioterapia que queremos!!!

Para finalizar, vou usar um pouco da filosofia agora, eu acho que depois que cursei essa bateria de estágio aprendi a ter uma visão sistêmica das coisas, pude ver o modo com que determinadas ideologias nos leva a percebermos a realidade, que a nossa atual visão sistêmica é positivista (e sabemos, que infelizmente a maioria é pessimista, digo os " Docentes") e que defino a realidade como tudo que está a nossa volta e que as coisas são o que são e ponto. Mesmo através da religião há a defesa da inalterabilidade da realidade (quem nunca ouviu falar em "destino").

Bom, todos os professores da minha graduação, ficaram sabendo do que fiz e não esperavam que eu lutasse pelos meus direitos. E ainda sai em coluna do jornal onde escrevo metendo bedelho em UTI. Depois te mando a coluna. rsrsrsrs Não sou fraca não. kkkkkkkkkkkkkk

Eu...

Rachel, a sua história tem mais é que sair em muitas colunas de jornais e também nas rádios e canais de televisão. Esta experiência serve de exemplo a todos nós, tanto os ditos "normais" quanto os ditos "deficientes" - que deficiente não tem nada!!! A deficiência está na cabeça e você é a prova disso!

Fiquei muito contente e lisonjeado em ter o privilégio de te entrevistar, pena que eu não te conheço pessoalmente, mas, desde já, fique sabendo que admiro muito o seu trabalho.

Através do seu site, divulgue tudo isso e muito mais, eu sei que você é uma guerreira em busca dos direitos humanos na inclusão social!!! Conte comigo para o que precisar.

Aos leitores deste blog, não deixem de visitar o site da Dra. Rachel Silveira: Fisioterapia e inclusão social. Nele, vocês poderão ver vários trabalhos dela relacionados com a inclusão social de deficientes e outros assuntos também. Vale muito a pena, eu recomendo!

Aguardem novas publicações!

Abraços a todos.